sexta-feira, 4 de maio de 2007
quinta-feira, 3 de maio de 2007
Entrevista de estágio
Entrevista de emprego, por natureza, tende a colocar o entrevistado em situação desconfortável perante o entrevistador.
O seu diferencial pode começar aí!
A melhor postura a ser adotada - mesmo sob o risco de não ser contratado - é ser absolutamente autêntico. Na entrevista seja exatamente você, confie nos seus predicados pessoais, morais e intelectuais. No presente e no futuro, o sucesso na sua atividade profissional e pessoal depende fundamentalmente da perfeita adequação da sua personalidade com o que você vier a fazer e gostar. Portanto na sua entrevista seja simples e haja naturalmente, respeitando e se fazendo respeitar, não é difícil ser você mesmo, lembre-se que “vender” uma falsa imagem pode ser trabalhoso, artificial e não será bom para você nem para a Empresa que o irá contratar.
Algumas “dicas” contudo podem ser úteis e resumem-se à sua apresentação pessoal:
* Homem ou mulher devem vestir-se com sobriedade para uma entrevista de emprego;
* Asseio e cuidados pessoais do tipo barba, cabelos e maquiagem bem cuidados somam pontos na sua primeira impressão, perfumes, se usados, devem ser discretos;
* Não é educado fumar durante uma entrevista;
* Procure estar informado sobre as notícias do dia num jornal diário da sua cidade, é bastante comum elas fazerem parte da sua entrevista.
quinta-feira, 26 de abril de 2007
Invista na criatividade
Qualquer pessoa pode ser inovadora, desde que exercite a mente e apresente idéias sem medo
A criatividade é um dos principais diferenciais das empresas e dos profissionais. "Sem ela não existem lucratividade e prosperidade", afirma Arthur Diniz, especialista em Liderança, Criatividade e Planejamento de Carreira, e autor de um estudo sobre como aumentar a criatividade divulgado pela Universidade de São Paulo (USP). Fundador da Crescimentum ? Coaching for Performance, ele destaca que, em nove passos, como exercitar o cérebro e anotar todas as idéias, é possível estimular seu potencial criativo e se sobressair no mercado. Quem seguir o método tem muito mais chances de ter uma carreira promissora, garante.
Especialistas concordam: uma das maneiras mais eficientes para estimular a criatividade em uma empresa é simplesmente ouvir os funcionários. O método já deu resultados positivos práticos para a coordenadora de Recursos Humanos Karina Pimentel. Ela conta que já participou da implantação e gestão de um programa de sugestão de idéias. Nele, os funcionários poderiam apresentar idéias sobre redução de custos, segurança de trabalho, higiene, procedimentos e processos, entre outros assuntos. As três melhores idéias eram premiadas.
Karina lembra que a empresa tinha um custo alto com canetas. A partir da idéia de um funcionário de punir aqueles que desperdiçavam mais, foi possível economizar 25% na compra das canetas. "No começo todos têm um pouco de receio, mas depois o número de sugestões foi só aumentando e foram bancadas pela diretoria", explica.
Karina participa do processo de implantação de um programa de sugestões em outra empresa. "Já temos o modelo piloto", diz. Por enquanto, a criatividade é estimulada com atividades como ginástica laboral, que não tem a mesma eficácia, mas também são importantes. "O processo de estímulo da criatividade pode ser feito com a melhoria da qualidade de vida dos funcionários."
"Quando se tira o funcionário da rotina, abre-se espaço para que a mente crie, inove", diz Arthur Diniz. Ele aponta que, para um indivíduo consiga se manter criativo, os dois hemisférios do cérebro têm de trabalhar bem. Enquanto o lado esquerdo é analítico e lógico, o direito é emocional, irracional. "É preciso estimular as características menos usadas", diz. Por exemplo, quem tem facilidade para música, teatro, deve jogar xadrez ou estudar planejamento estratégico. Já quem é muito analítico e tem jeito para os números deve procurar estudar música, dança e fazer meditação.
Projeto de lei prevê férias para estagiários
O Ministério da Educação anunciou nesta quarta-feira, 25, um projeto de lei que prevê a regulamentação dos estágios no Brasil. O texto inclui o direito a férias para estagiários que permanecerem pelo menos um ano trabalhando em uma mesma empresa.
A proposta faz parte do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), anunciado na terça-feira, 24, e já está na Casa Civil, de onde deve seguir para o Congresso Nacional. O projeto visa à revogação da lei nº 6.494, de 1977, que atualmente regulamenta os estágios.
O texto também estabelece que os estudantes trabalhem por, no máximo, 30 horas semanais. A idéia é aumentar a fiscalização e multar, com valores que variam de R$ 240 a R$ 1.400 por estagiário, as empresas que descumprirem a nova lei, se esta for aprovada.
Dúvidas frequentes...
# 01. O que é estágio?
* Considera-se estágio as atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, proporcionadas ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho de seu meio, sendo realizadas na comunidade em geral ou junto a pessoas jurídicas de direito público ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de ensino.
# 02. Quem pode ser estagiário?
* Alunos com idade a partir de 16 anos regularmente matriculados que freqüentem, efetivamente, cursos vinculados à estrutura do ensino público e particular, de educação superior, de educação profissional, do ensino médio regular e supletivo, e de educação especial, aceitos por pessoas jurídicas de direito privado, órgãos da administração pública e instituições de ensino, para o desenvolvimento de atividades relacionadas a sua área de formação.
# 03. Por que o estágio é necessário para o estudante?
* O estágio, como parte integrante do processo formativo, contribui para a formação do futuro profissional porque permite ao estudante:
- a aplicação prática de seus conhecimentos teóricos, motivando seus estudos e possibilitando maior assimilação das matérias curriculares;
- amenizar o impacto da passagem da vida estudantil para o mundo do trabalho, proporcionando contato com o futuro meio profissional;
- adquirir uma atitude de trabalho sistematizado, desenvolvendo a consciência da produtividade, a observação e comunicação concisa de idéias e experiências adquiridas e incentivando e estimulando o senso crítico e a criatividade;
- definir-se em face de sua futura profissão, perceber eventuais deficiências e buscar seu aprimoramento;
- conhecer a filosofia, diretrizes, organização e funcionamento de empresas e instituições em geral, facilitando sua integração, além de propiciar melhor relacionamento humano e social.
# 04. O estágio visa somente a formação profissional do estudante?
* A Legislação considera estágio curricular as atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, proporcionadas ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho de seu meio, sendo realizada na comunidade em geral ou junto a pessoas jurídicas de direito público ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de ensino.
Direitos do Estagiário
Conforme Decreto 87.497/82, que regulamenta a Lei 6.494/77, alterada pela Medida Provisória nº 2164-41, de 24 de agosto de 2001, os estágios nas Empresas e Instituições contratantes de estagiários são regidos por normas e procedimentos específicos. A seguir o resumo destas disposições relativamente ao Aluno.
* Quaisquer Empresas, públicas ou privadas, em condições de proporcionar experiência prática ao aluno podem contratar, como estagiários, a partir de 16 anos, estudantes regularmente matriculados e freqüentando cursos de educação superior, de ensino médio, de educação profissional de nível médio ou superior ou escolas de educação especial;
* A realização do estágio dar-se-á mediante Termo de Compromisso firmado entre o estudante e a Empresa contratante, com a interveniência da Instituição de Ensino;
* O estágio não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, mas possibilita ao aluno a chance privilegiada de, ao final do estágio, ser contratado como funcionário;
* O estagiário contratado poderá receber bolsa de estágio mensal ou outra forma de contraprestação de serviços previamente acordada;
* Por liberalidade, as empresas podem conceder aos estagiários os benefícios assegurados aos demais funcionários;
* O estagiário fará jus, obrigatoriamente, ao Seguro de Acidentes Pessoais oferecido pela Empresa, durante o período em que estiver estagiando;
* O contrato de estágio, por não ter vínculo empregatício, pode ser rescindido a qualquer momento por qualquer das partes.
* O duração total do estágio curricular não poderá ser inferior a um semestre letivo;
* A jornada de trabalho deve ser sempre compatível com a atividade escolar;
* A empresa não é obrigada a liberar o estagiário nem reduzir sua carga horária no período de provas na escola;
Funcionários especiais
O que levar em conta na hora de contratar portadores de deficiências
Existem cerca de 25 milhões de brasileiros com algum tipo de deficiência, o que representa aproximada- mente 14% da população. Muitas dessas pessoas estão fora do mercado de trabalho, pois não têm qualificação e às vezes nem mesmo estudo. Mas muitas poderiam ocupar postos em fábricas, escritórios, centrais de atendimento, etc. Segundo a Lei de Cotas (8.213/91), as empresas com mais de 100 empregados devem reservar de 2% a 5% de suas vagas para deficientes. Especialistas garantem que a partir deste ano quem não cumprir a lei será multado. A multa é de pouco mais de R$ 1.000 por dia, por pessoa não contratada.
Para quem vai contratar, o que levar em conta? Segundo Andrea Goldschmidt, sócia da Apoena Social, consultoria na área de responsabilidade social, em primeiro lugar, o empresário deve enxergar no candidato todas as suas habilidades e não suas deficiências. 'Dessa forma, ele poderá avaliar em que função o profissional será mais produtivo', diz ela. Veja, a seguir, as providências a serem tomadas.
Preencha as vagas existentes
Não se deve criar funções só para contratar alguém e cumprir a lei. Verifique em que áreas há espaço para a inclusão. Para encontrar potenciais funcionários, pode-se recorrer a entidades que formam mão-de-obra, entre as quais o Senai (www.senai.br), o Sesi (www.sesi.org.br), a Apae (www.apaebrasil.org.br) e o Instituto Paradigma (institutoparadigma.org.br).
Conte com especialistas
Um médico do trabalho e um técnico em segurança do trabalho podem ajudá-lo na seleção do funcionário. 'Se for contratar dificientes visuais, tenha fichas de recrutamento em braile', diz a psicóloga Anita Marino, consultora na área de acessibilidade. 'No caso de surdos, deve-se ter o apoio de alguém que possa traduzir o diálogo para libras, a linguagem brasileira de sinais.'
Adapte as instalações
Antes de mais nada, é preciso criar rampas de acesso, banheiros com portas amplas, barras de apoio e espaços para cadeirantes, de acordo com as medidas estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 'Assim que contratar o novo funcionário, será possível adaptar móveis e demais equipamentos conforme as necessidades dele', diz a psicóloga Anita. O mesmo vale para o estacionamento. Se o contratado tiver carro ou chegar à empresa de carona, é preciso reservar uma vaga para que ele estacione ou desembarque sem dificuldades.
Crie uma política de inclusão
A medida facilitará o entrosamento do funcionário deficiente com os demais. Você pode começar com uma reunião com seus líderes, de forma que eles repassem as informações aos seus subordinados. Esses bate-papos podem ser descontraídos, com a presença dos novos funcionários, para que todos se sintam à vontade. Se contratar mais de um deficiente, tome cuidado para que eles não fiquem na mesma função, isolados dos outros empregados. Também pode-se estimular a criação de 'padrinhos'. São pessoas que espontaneamente ajudarão os deficientes em diferentes situações cotidianas. Se houver deficientes auditivos, a empresa pode convidar professores para dar aulas de linguagem de sinais a todos os empregados indistintamente. Mas nada deve ser imposto. Os alunos e padrinhos têm que ser voluntários.
Adapte as áreas e atividades de apoio
Restaurante, ambulatório e espaços de convivência também devem ser acessíveis ao funcionário deficiente. O mesmo cuidado precisa ser tomado em relação às atividades de segurança. Simulados de incêndio e treinamentos para a evacuação do prédio precisam levar em conta a presença de quem tem dificuldade de se locomover, ouvir ou enxergar. Essas pessoas devem trabalhar sempre perto de uma saída de emergência e contar com alguém que as auxilie nessas situações. No caso dos surdos, é importante que os alarmes sonoros sejam acompanhados de sinais luminosos.
Ouça o funcionário
Deixe bem claro para o deficiente que ele deve se manifestar, caso se sinta desconfortável no trabalho. Segundo Anita, muitos deles se sentem tão gratificados pela oportunidade de emprego que preferem não reclamar das dificuldades enfrentadas no dia-a-dia. 'Não se pode esquecer que uma pessoa com um problema físico que fica muito tempo numa posição errada pode ter o seu problema agravado', diz ela.
Avalie a produtividade
Assim, os funcionários deficientes sentirão que têm as mesmas chances de crescimento profissional que os demais. Mas tome cuidado para que eles não estendam demais o horário de trabalho. De acordo com Anita, os portadores de deficiência tendem a ser muito dedicados quando encontram um emprego e gostam de ser os primeiros a chegar e os últimos a sair. Não é preciso tanto para que todos - empresa, deficientes e sociedade saiam ganhando.
terça-feira, 24 de abril de 2007
Porta de entrada para o mercado
Estágio ajuda na formação complementar e contribui para que empresas conheçam habilidades e talentos dos estudantes.
Ellen Cristie Servir cafezinho, tirar xerox ou passar o dia atendendo o telefone. Essa pode ser a dura vida de um estagiário, se ele não souber seus direitos e deveres na hora de agarrar uma oportunidade. Quem já não viveu uma experiência similar, de saber que não está desempenhado o que deveria, mas sem conseguir sair dessa cilada?
Para se livrar de uma situação desconfortável como essa e evitar traumas posteriores, o D+ ouviu jovens com histórias de estágios positivos e outros nem tanto assim. E todos os envolvidos têm pelo menos uma opinião em comum: um dos primeiros passos para evitar problemas é conhecer a fundo a empresa e o cargo a ser pleiteado para saber exatamente o que esperar.
A Resolução Nº 1, de 21 de janeiro de 2004, do Conselho Nacional de Educação (CNE), ligado ao Ministério da Educação (MEC), destaca a importância da atuação da instituição de ensino como fiscalizadora. O documento ressalta que todo estágio é curricular e precisa, necessariamente, concordar com o projeto pedagógico da escola e ser supervisionado por ela. Como a atividade pretende colaborar com a formação do jovem, o CNE entende que a responsabilidade de zelar por estágios de qualidade é competência das instituições de ensino.
Por essa razão, aluno, escola e empresa devem assinar o termo de compromisso, documento comum na contratação de um estágio. Embora não haja vínculo empregatício entre estagiários e empresas, os jovens trabalhadores precisam ter seguro contra acidentes pessoais (estabelecido em lei) e contra acidentes de terceiros, o que dá mais garantias aos estudantes.
Quanto à jornada de trabalho, o artigo 82 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, limita as atividades dos estudantes da educação profissional em seis horas por dia, em um total de 30 horas semanais. Para cursos que usam períodos alternados em salas de aula e estágio, há exceções. Alunos de enfermagem, por exemplo, se dividem entre escola e hospital. Nesses casos, a jornada pode chegar até a 40 horas semanais. Os alunos do ensino médio não podem trabalhar mais que quatro horas diárias nem ultrapassar 20 horas por semana.
Fábio Croso Soares é diretor do site Estagionet, com sede em Belo Horizonte, dirigido a estagiários e empresas interessadas na contratação de jovens. Atualmente, o site mantém 70 currículos e cerca de 190 ofertas de estágio. Em média, recebe a visita de 30 mil usuários por dia.
Criado em 2000, o é uma opção para os jovens que queiram expor suas habilidades. “Trabalhamos com quatro tipos de serviços. O estudante pode inscrever seu currículo gratuitamente, e este é enviado às empresas; o site faz o processo de recrutamento e seleção para encontrar o perfil adequado do candidato à vaga; temos um banco de dados com todos os cadastrados, caso a empresa tenha interesse; e temos um gerenciador de estágios, que faz o termo de compromisso, o pagamento do seguro obrigatório em nome do estagiário.”
CUSTOS
Para o diretor do site, não há como negar que o estágio é a porta de entrada para o mercado de trabalho. “Mas também não podemos esconder que muitas empresas contratam os jovens pensando simplesmente na redução de custos, em não conceder direitos como INSS, FGTS, o 13º salário, férias.” Fábio acredita que um mês é o tempo necessário para que o estagiário avalie se está realmente tirando proveito do serviço. “Antes disso, acho um pouco precipitado tomar qualquer decisão, embora acredite que o estagiário é, pela própria idade e fase da vida, muito ansioso.”
Visando escapar dos maus empregadores, ele sugere que o jovem candidato a uma vaga de estágio verifique a idoneidade da empresa nos órgãos competentes, como Procon, Serasa e Tribunal de Justiça. “Infelizmente, o estudante só vai ter certeza de que o trabalho vale a pena depois que iniciar as atividades e perceber se elas são inerentes ao curso de graduação”, comenta. “Se ele sentir que está sendo explorado e que a teoria não está sendo transformada em prática, o melhor é sair e procurar outra chance.”
Foi o que fez Camila Martins do Amaral, de 24 anos, estudante do 4º período de jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH), que chegou a pedir demissão de um emprego na Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa (Fundep), na UFMG, para ingressar em um estágio. “Queria trabalhar na área, ter contato com a comunicação.”
A experiência, no entanto, não deu certo. Insatisfeita e frustrada, ela pediu rescisão de contrato do estágio há pouco mais de uma semana. Contratada por uma empresa de tecnologia que atua no ramo de solução de softwares, ela aceitou a proposta depois de fazer uma entrevista e encaminhar o currículo. “Fui comunicada que iria manter o mural da empresa, divulgar notícias e atualizar o site. Depois de passar por uma semana de treinamento, descobri que seria gestora de reclamações. Minha função vinha estampada nos e-mails”, relata. “Nos primeiros dias, comecei a fazer contatos pós-venda com os clientes. O problema é que, geralmente, o cliente fazia críticas ao serviço e eu era obrigada a resolver o problema. Eu me senti lesada quando vi que o estágio não era nada do que eu pensava.”
Camila permaneceu na empresa por 45 dias, e hoje está à procura de um novo estágio. “Estou correndo atrás, mesmo porque preciso trabalhar para aprender e ajudar no pagamento da mensalidade do curso. Acho que o mais importante para que o estudante não se decepcione é, antes de aceitar um estágio, tentar identificar exatamente como é a empresa e as atividades a serem desempenhadas.”
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Idade não limita busca por estágio
104 mil alunos com mais de 40 anos decidem mudar o ramo de atuação ou incrementar o conhecimento. Obrigados ou não pela faculdade, eles buscam um estágio.
Eles formam um batalhão de 104 mil alunos nos bancos das faculdades do país. Mas com uma diferença em relação a 1,5 milhão de estudantes: a idade. “São pessoas que, provavelmente, já passaram uma fase da carreira e decidiram voltar a estudar por achar que vale a pena redirecioná-la”, diz Eduardo de Oliveira, superintendente operacional do Ciee (Centro de Integração Empresa-Escola).
Levantamento exclusivo do Ciee a pedido da Folha aponta que, em 2006, 6.527 estudantes de graduação com mais de 40 anos se inscreveram na instituição em busca de estágio. Desse total, 21% (1.374) fizeram estágio no ano passado. “É um número significativo”, aponta Oliveira. “Como o estágio não inclui os encargos e não exige experiência, talvez seja até mais fácil conquistá-lo [do que uma vaga no mercado].”
A estudante de biblioteconomia Consuelo Monte, 56, está em seu primeiro estágio e percorreu oito empresas até consegui-lo. Graduada em sociologia e com experiência em grandes empresas, teve de “enxugar” o currículo, superqualificado para postos iniciantes.
“Já me perguntaram na entrevista como não tinha conseguido coisa melhor”, lembra. “Achei que a idade não me ajudaria, mas estava errada”, conta ela, hoje estagiária no Instituto da Pesca, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento.Entre as vantagens, ela aponta a qualidade de vida que tem com horários flexíveis.
Apesar de os estudantes de pedagogia liderarem o ranking dos concorrentes a uma vaga, são os universitários de direito os que mais conquistam espaço. Para Oliveira, do Ciee, em geral, essas carreiras estão entre as mais procuradas para a segunda graduação -cursos que exigem estágio nos currículos. “Eles têm a maturidade que algumas vagas exigem”, destaca.
Nilson Mineo Morisava, 41, é um deles. Quando o engenheiro elétrico perdeu seu cargo de supervisor em uma grande empresa, não se abalou. Trocou posto -e salário- por um estágio em direito na área pública. “A mudança é grande. Mas campo de trabalho eu tenho”, diz ele, que cursa o quarto ano de direito. No futuro, Morisava pretende unir as duas carreiras e se tornar perito judicial.
terça-feira, 17 de abril de 2007
A Internet ajuda a ampliar networking
Pelo menos quando o assunto é Orkut, site de relacionamento que virou febre no mundo todo, o Brasil não sofre marginalização tecnológica. Pelo contrário. De acordo com dados do próprio site, 73,17% de todos os participantes dessa comunidade são brasileiros. O segundo país com maior número de representantes são os Estados Unidos, com apenas 10%. Quando se analisa os objetivos das pessoas que ingressam nesse mundo virtual, emerge uma constatação outrora controversa, mas que, atualmente, tem a simpatia da maioria dos executivos: a Internet é, sem dúvida, uma grande aliada no desenvolvimento de carreiras. Eis o número que corrobora a idéia acima: num site criado para promover encontros pessoais, como o Orkut, quase 40% dos participantes têm por finalidade estabelecer contatos profissionais por meio da ferramenta.
“Há alguns anos, por ser nova e desconhecida, a web despertava desconfiança nas pessoas; agora, no entanto, dominando as técnicas de navegação, pode-se criar, manter e expandir networking com muita rapidez e é possível, também, levantar informações preciosas em questão de minutos”, defende Adriano Moraes de Araújo, diretor-executivo do Grupo Foco, especializado em RH. Com o avanço da tecnologia simultaneamente ao aumento exponencial da carga de trabalho, a Internet tornou-se uma espécie de panacéia para a falta de tempo que assola os executivos. Com ela, é possível estabelecer contatos e se manter informado sem sair do escritório. E melhor. Com mais qualidade e maior agilidade que almoços de negócios e revistas especializadas, artifícios utilizados no passado. E já tem gente de olho bem aberto para essa realidade.
É o caso da Contatos BR (www.contatosbr.com.br) , empresa especializada em consultoria em gestão empresarial, que tem seus serviços focados em desenvolvimento de networking, capacitação gerencial, visibilidade do profissional e geração de negócios, e cujo carro-chefe são os fóruns online.
Uma vez por mês, é proposta a discussão de um tema, por três ou quatro dias. O debate, mediado por um profissional da área do assunto em questão, permite a troca de experiência entre participantes e fomenta o debate acerca de tópicos que auxiliem, na prática, as tomadas de decisões dos executivos que integram o fórum. Tudo na plataforma digital, por meio da qual são passadas notícias e cases de sucessos. “O grande diferencial desta ferramenta é o fato de a pessoa poder acessar quando tiver disponibilidade, com toda as facilidades que uma comunidade virtual pode proporcionar”, explica Lion Andreassa, sócio-diretor da Contatos BR. Andreassa afirma, no entanto, que embora seja necessária, a troca “virtual” não é suficiente.
Pensando nisso, após cada painel, são organizados encontros presenciais, cujas finalidades são dar continuidade à discussão e, de quebra, catalisar a ampliação da rede de relacionamentos profissionais. Há apenas sete meses no ar, o programa já conta com a presença de mais de 450 profissionais.
Um deles é o economista Cleudo Lopes, diretor-geral do Hospital de Dermatologia Sanitária do Paraná. Responsável por gerenciar 200 funcionários, encontrou nos fóruns da Contatos BR uma maneira de pesquisar, transmitir e colher dados, se apresentar e se manter “na vitrine”, como ele mesmo diz. Ao ingressar nesse admirável mundo novo e cibernético, Lopes deixou para trás intermináveis encontros improdutivos e cansativos, cujo objetivo era manter contato com possíveis parceiros, clientes ou fornecedores. “Agora, é possível conversar com dez pessoas ao mesmo tempo, e isso é um enorme facilitador”, afirma. “A Internet, indiscutivelmente, encurta distâncias”, completa.
O outro lado
A Internet ajuda, sim. Mas exige parcimônia. É o que defende Araújo, diretor da Foco. Para ele, no caso do Orkut, a ferramenta pode não ser muito útil para os negócios. Voltado para relacionamentos pessoais, e não necessariamente profissionais, o conteúdo lá existente muitas vezes não interessa a um possível contratante. Ou você acha que pode conseguir uma vaga porque gosta de Britney Spears ou é adepto da ioga - predileções facilmente encontradas no site?
De qualquer forma, se a Internet de fato tornou-se um remédio eficaz para a falta de tempo é preciso tomar cuidado com seus efeitos colaterais. Democrático, o espaço virtual aceita tudo, inclusive picaretagens. “Saber a procedência da fonte em que se busca informação é fundamental”, diz Araújo.
Foi com essa idéia na cabeça que Marcos Dutra, formado em Economia e Marketing, decidiu investir no filão. “A área de marketing estava carente de fontes de informações; as que tinham eram fracas e de origem duvidosa”, conta. Montou, então, Pensando Marketing (www.pensandomarketing.com), site que reúne artigos de executivos do setor. Cuidadoso com os critérios de seleção do que entra ou não no ar, Dutra certifica-se da qualidade do currículo do autor para evitar surpresas desagradáveis. Atualmente, a página, cujo acesso é gratuito, possui cerca de 150 textos e recebe a visita de 6 mil internautas por mês. “Essa foi a forma que encontrei de auxiliar profissionais de marketing a desenvolverem suas capacitações e, conseqüentemente, suas carreiras”, conclui.
Ambição de se destacar no ambiente de trabalho pode ultrapassar limites éticos
Estudo realizado pelo The Pew Research Center, grupo norte-americano de pesquisa independente sobre opinião pública, traçou um breve diagnóstico da nova geração de profissionais: eles pensam em ganhar muito dinheiro, sonham com uma carreira estável e não medem esforços para atingir o intento. O estudo é novo, mas a constatação remete à antiga questão da competitividade no ambiente corporativo. Vale tudo para conquistar esses objetivos? “Não. Deve-se sempre combinar os princípios éticos com o desejo de crescer”, explica Plínio Leite, da CL Executive Search & Interim Management. É fato. Se não for bem dosado, o espírito de competição pode devastar uma carreira promissora. Todo o cuidado é pouco.
De acordo com a Teoria das Necessidades Adquiridas, do psicólogo norte-americano David McClelland, o ser humano é guiado por três bases motivacionais: a realização, a afiliação e o poder. No caso dos extremamente competitivos, o poder seria a motivação principal para agir no escritório, estimulando a vontade de vencer e de estar no controle das situações. Pessoas guiadas pela base do poder seriam “aqueles que fazem qualquer coisa e influenciam os outros a respeito de tudo para atingir seus próprios planos pessoais”, esclarece a consultora Sueli Ruiz, que trabalha com orientação de carreira.
Para Leite, a competição contribui para superação e é o motor que estimula para se alcançar metas. No entanto, se exagerada, pode afundar uma carreira potencialmente brilhante. O que deve limitar o executivo para que ele não ultrapasse a concorrência saudável são os princípios éticos combinados com a normatização legal, missão e visão da empresa.
Mas é preciso estabelecer o conceito de emulação no mundo corporativo. De acordo com Cecília Pinaffi, da Mussi Consultores, competir, por definição, significa querer a mesma coisa que outra pessoa, o que não pressupõe, necessariamente, que tenha um ranço negativo. “Se enxergarmos essa definição pelo lado positivo, não há mal algum em imaginar que uma equipe é competitiva quando todos os seus membros estiverem motivados para alcançar uma meta comum”, diz. Assim, só haveria prejuízos quando as relações ultrapassam a ética e o bom senso. “Quando se é maldoso em relação a fatos, dados e ações contra um companheiro, a competição pode ser prejudicial para o funcionário e para a empresa”, explica Sueli.
Ética x Concorrência
A melhor forma de gerenciar a concorrência excessiva é trabalhando a imposição de limites, objetivos e metas de cada colaborador. É preciso fortalecer a idéia de trabalho em equipe e cooperação, além de ter planos para a mediação nos casos de conflito. É nesse momento que um bom líder ajuda, e muito, na resolução de situações delicadas. A liderança precisa “acompanhar a evolução dos trabalhos, corrigindo os rumos sempre que as variáveis fiquem claras e quantificáveis”, diz Leite, o que evita que as equipes levem a competição tão a sério que a empresa entre em um processo de autofagia.
Para Sueli, quando a concorrência ultrapassa as barreiras éticas, o líder também tem o papel de verificar a atuação de cada um dos seus subordinados. “Os colegas sabem se alguém passou do limite, então os ouça”, aconselha. Outra forma de perceber o excesso de competição é examinar se as pessoas estão trabalhando de maneira muito individualista e sem comunicação.
Apesar de o arrojo e a agressividade estarem entre umas das características mais procuradas pelo mercado, nem sempre vale tudo na busca por esse reconhecimento. A ética deve estar acima de qualquer premissa, pois uma atitude pouco transparente não se sustenta em um ambiente de negócios. “Estimular a competição pode até ser uma boa estratégia, desde que sejam claros os limites e conseqüências dessa prática”, defende Cecília.
Uma caminhada nada solitária
Trilhar uma trajetória de sucesso não tem nada a ver com ignorar os feitos de colegas, enclausurar-se e caminhar sozinho, mas ter motivação suficiente para sair na frente e buscar a ajuda de outras pessoas. Sendo assim, é importante estar sempre em contato com os subordinados, superiores e pares. Por outro lado, a companhia deve observar questões como a boa política de remuneração e benefícios, reforço de atitudes positivas e premiação pelas iniciativas bem sucedidas e idéias criativas de seus funcionários, como forma de arar um terreno fértil de fomentação à competição saudável.
Se bem administrada, a concorrência interna ultrapassa as paredes do escritório e se transforma num componente que possibilita vantagem competitiva para a organização e influencia diretamente os resultados. Dessa forma, é recomendável e absolutamente viável estimular a competição sem ultrapassar os limites éticos com o mercado e com seus funcionários. Se os integrantes de uma equipe entendem que o sucesso individual contribui para o sucesso de todos, diz Cecília, as chances de se verificar uma concorrência produtiva crescem substancialmente.
Dicas para impulsionar sua carreira em tecnologia
Ser um especialista em conhecimento técnico não é suficiente para garantir uma carreira de sucesso ao profissional em tecnologia.
Muitas vezes, ele deixa de conseguir uma vaga por falta de habilidades e características que vão além da técnica. Conversamos com caça-talentos para descobrir o que todo profissional de tecnologia precisa ter além do domínio da técnica para valorizar seu currículo e aumentar suas chances na busca de um bom emprego.
Do you speak english?
Consenso entre todos os especialistas ouvidos, o inglês é fundamental. Jairo Okret, sócio da Korn/Ferry, consultoria de recrutamento executivo, diz que, em processos seletivos, não é raro o contato com o candidato não evoluir por falta de domínio da língua. “Isso acontece todos os dias”, diz ele.
A formação pode ser em tecnologia ou até em outro curso, complementa a headhunter, como em administração de empresas. A formação em outras áreas ajuda a construir uma carreira mais abrangente, o que vale também para cursos de extensão, como pós-graduação e de atualizações.
Na hora de fazer a escolha, o profissional deve pesquisar bastante as possibilidades, pedir recomendações para colegas e levar em conta que um curso sempre demanda horas de dedicação. “Para aproveitar, tem que fazer com vontade”, diz Sarraf.
Aprendendo na prática
Outras habilidades importantes, como a de lidar com equipes e comandar projetos, são aprendidas na prática em “empresas que são boas escolas”, segundo Okret. Passar por boas firmas ajuda a construir uma reputação e a adquirir uma variedade de experiências ao passar de uma função para outra, a formar um perfil de competências completo. Isso tudo é muito valorizado pelo mercado.
Por fim, é preciso saber que um bom salário não é sinônimo de carreira bem-sucedida. Para Okret, sucesso é mais que conseguir um bom emprego: é "se desenvolver, ser feliz e ter satisfação naquilo está fazendo".
Só aquele inglês “de leitura de manual”, segundo ele, não basta: é preciso conseguir se comunicar oral, verbalmente e por escrito. Danielle Sarraf, headhunter e colunista do IDG Now!, explica. “O mercado não valoriza o [inglês] técnico, esse é obrigação, é ferramenta de trabalho. O que diferencia [o candidato] é saber se comunicar, escrever em inglês.” Okret não titubeou na hora de aconselhar os recém-formados: quem ainda não domina a língua inglesa deve investir imediatamente em um curso.
Gostar de gente, não só de máquina
Outra característica fundamental é a habilidade de lidar com pessoas. Profissionais de tecnologia muitas vezes são especialistas em resolver problemas relacionados à informática e lidam muito bem com máquinas, mas têm dificuldade para se relacionar com colegas e gerenciar equipes. Para Sarraf, o profissional de tecnologia que gosta da técnica precisa ter em mente que não basta o conhecimento técnico em si. “É importante a habilidade de se comunicar com outras áreas, interagir com pessoas dentro e fora da empresa”.
“Tem que gostar de gente, não só de máquina”, resume Mariá Giuliese, diretora-executiva da Lens & Minarelli, consultoria especializada em outplacing e aconselhamento de carreira para executivos. Ela exemplifica essa necessidade citando situações como a introdução de um sistema novo na empresa. É algo que mexe com a rotina das pessoas, é preciso paciência para orientar e ensinar os usuários.
Isso é importante porque, quando aqueles que começam sua carreira com função técnica (programador, analista) começam a subir, passam a gerenciar contas, precisam lidar com clientes, entender necessidades, desenhar soluções personalizadas e se afastam da técnica, explica Okret.“Na verdade, existe lugar para o profissional [mais] técnico, mas a evolução [da sua carreira] está atrelada à capacidade de interagir com as pessoas e de entender os negócios”.
Formação acadêmica é indispensável
Quanto à formação acadêmica, apesar de alguns profissionais acharem que o domínio da técnica dispensa a necessidade de um curso superior, Sarraf rebate. “É indispensável no mundo corporativo. Não é uma questão de escolha, é um pré-requisito básico, um critério de seleção.” A formação pode ser em tecnologia ou até em outro curso, complementa a headhunter, como em administração de empresas. A formação em outras áreas ajuda a construir uma carreira mais abrangente, o que vale também para cursos de extensão, como pós-graduação e de atualizações.
Na hora de fazer a escolha, o profissional deve pesquisar bastante as possibilidades, pedir recomendações para colegas e levar em conta que um curso sempre demanda horas de dedicação. “Para aproveitar, tem que fazer com vontade”, diz Sarraf.
A formação pode ser em tecnologia ou até em outro curso, complementa a headhunter, como em administração de empresas. A formação em outras áreas ajuda a construir uma carreira mais abrangente, o que vale também para cursos de extensão, como pós-graduação e de atualizações.
Na hora de fazer a escolha, o profissional deve pesquisar bastante as possibilidades, pedir recomendações para colegas e levar em conta que um curso sempre demanda horas de dedicação. “Para aproveitar, tem que fazer com vontade”, diz Sarraf.
Aprendendo na prática
Outras habilidades importantes, como a de lidar com equipes e comandar projetos, são aprendidas na prática em “empresas que são boas escolas”, segundo Okret. Passar por boas firmas ajuda a construir uma reputação e a adquirir uma variedade de experiências ao passar de uma função para outra, a formar um perfil de competências completo. Isso tudo é muito valorizado pelo mercado.
Por fim, é preciso saber que um bom salário não é sinônimo de carreira bem-sucedida. Para Okret, sucesso é mais que conseguir um bom emprego: é "se desenvolver, ser feliz e ter satisfação naquilo está fazendo".
Como se tornar um funcionário do Google
Empresa diz que não há limite de vagas para contratar bons profissionais.
Cem dólares para gastar em bugigangas para a sua mesa de trabalho. Essa é apenas uma das regalias que o Google oferece aos seus funcionários em qualquer lugar do mundo. Outros atrativos, como geladeiras com bebidas à vontade e guloseimas sortidas, redes e cadeiras de massagem para relaxar, mesas de pebolim, videogames e puffs gigantes, que lembram as bolinhas coloridas do logo da empresa, saltam aos olhos quando se caminha por um escritório do Google - seja na Califórnia, em São Paulo ou em Minas Gerais.
Mas muito mais que um ambiente de trabalho descontraído, o que atrai os profissionais ao Google é a possibilidade de trabalhar em uma das maiores - e mais cobiçadas - empresas de tecnologia do mundo, com todas as óbvias vantagens que uma temporada na companhia agregam ao currículo - sem falar na remuneração.
Candidatos não faltam, mas a companhia continua com vagas abertas tanto no seu escritório comercial em São Paulo (SP) quanto no seu Centro de Engenharia, em Belo Horizonte (MG).
Segundo Berthier Ribeiro Neto, diretor de engenharia do centro de pesquisas e desenvolvimento mineiro - um dos 30 que a companhia mantém em todo mundo -, a subsidiária tem o aval da matriz para contratar tantos bons engenheiros quantos encontrar. Mesmo assim, a equipe de engenheiros do Google aumentou apenas de 15 para 30 profissionais desde que a empresa mineira de buscas Akwan foi adquirida pelo Google, em julho de 2005, tornando-se o centro brasileiro de engenharia.
Para Carlos Felix Ximenes, diretor de comunicação corporativa do Google, a chave para este mistério está na cultura da empresa, na qual nem todos os profissionais se enquadram. “O desafio é encontrar profissionais que tenham um alto grau de expertise no que fazem, mas que também tenham o perfil do Google: bem-humorados, colaborativos e hardworking [que dão duro]”, define.
No caso dos engenheiros, a tarefa é ainda mais árdua. “Queremos os melhores, mas os melhores normalmente sabem que são bons e se tornam competitivos, arrogantes. Isso não combina com o modelo de gestão do Google, que é muito horizontal. Os fundadores até hoje trabalham em baias, no meio de todo mundo”, conta Ximenes. “Quando se caminha pelo escritório do Google em Mountain View, você esbarra o tempo todo em gente brilhante, mas é impossível dizer isso pelas suas atitudes”, relata.
Esta busca incessante pelos melhores talentos - não importa onde eles estejam -, acaba fazendo do Google um verdadeiro caldeirão étnico, o que, segundo Ximenes, também explica porque a empresa se esforça tanto para criar um ambiente agradável para os funcionários.
“Na Califórnia, temos nutricionistas que preparam cardápios étnicos diversos para cada um dos refeitórios que temos no complexo de escritórios. Alguns funcionários chegam a dormir no Google - tem blogs internos que dão as dicas dos melhores cantinhos para cochilar. Para alguns funcionários, o Google é realmente um lar”, explica.
No Brasil, a companhia também garimpa profissionais em todas as regiões, segundo Ximenes. “No escritório em São Paulo temos gente do Nordeste, do Norte, do Sul, e muita gente do Rio de Janeiro. Tem menos paulista que qualquer coisa”, brinca o diretor de comunicação.
Ribeiro, que é um dos fundadores da mineira Akwan e esteve à frente do processo de aquisição, conta que a maior preocupação do Google ao examinar a companhia eram as pessoas. “Em nenhum momento os ouvi falando sobre receita, patrimônio ou marca”, relata. Para ele, o que viabilizou a compra foi a cultura muito parecida da empresa mineira com a futura matriz. “Eles entraram na Akwan e viram uma única grande sala, sem paredes e divisões. Apenas duas salas de reunião, com vidros transparentes”, conta.
Mas se a cultura é um fator determinante para ingressar na companhia, a bagagem acadêmica também é igualmente importante para um futuro engenheiro do Google. “Enviar o currículo é o último passo, é o fim da estrada”, diz Ribeiro. Segundo o diretor, é muito comum o aluno chegar à faculdade e achar que as notas não são mais importantes. “Não há amostragem melhor que quatro anos de notas para identificar o potencial de um candidato”, justifica o executivo.
Ribeiro fala com conhecimento de causa: a Akwan nasceu no âmbito acadêmico, fundada por egressos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Apesar da pinta de empresa pequena, quando foi comprada pelo Google já colecionava um portfólio invejável de clientes para o seu sistema de buscas, com nomes como Universo Online (UOL), iG e Editora Abril.
“É preciso viver a universidade intensamente. Às vezes o aluno começa a fazer um estágio, ganhar um dinheiro, e deixa a universidade de lado pensando no curto prazo, mas pode estar perdendo uma boa chance lá na frente”, observa Ribeiro. Para Paulo Golgher, gerente de engenharia do centro em Belo Horizonte e co-fundador da Akwan, não faltam oportunidades para bons profissionais que saem da academia.
“Quem faz um bom curso, tem emprego garantido. Se não for aqui, é lá fora”, defende. Um exemplo da dedicação à vida acadêmica que se reverteu em oportunidade no mercado é o do engenheiro Torsten Nelson, que depois de se graduar e concluir mestrado na Universidade Federal de Minas Gerais, e de cursar um doutorado no exterior, conseguiu uma vaga na equipe de engenharia do Google, enviando um currículo pelo site.
Já Bruno Albuquerque, formado pela Universidade Estadual de Maringá, também engenheiro de software, se concentrou mais na vivência prática, trabalhando em empresas de tecnologia até enviar seu currículo e ser contratado pelo Google para uma vaga, após seis meses de processo seletivo. “Isso foi no começo, agora nosso processo está mais estruturado. Leva no máximo um mês”, diz Golgher.
O processo de recrutamento inclui testes de programação, entrevistas com diversos profissionais dentro da empresa, e, em alguns casos, até mesmo entrevistas com funcionários no exterior, já que a equipe de engenharia no Brasil coopera diretamente com os times internacionais da companhia.
Além de receber currículos pelo site, a empresa conta com sugestões dos próprios profissionais do time. “Incentivamos o sistema de indicação. Partimos da premissa que gente boa conhece gente boa”, conta Ximenes.
Por fim, o Google observa de perto os profissionais em formação para detectar os potenciais talentos. Neste ano, a companhia promoveu o desafio Code Jam na América Latina, voltado a jovens programadores. Além de brindar os 50 melhores colocados com prêmios em dinheiro, a empresa aproveitou o concurso - que se realiza em diversas partes do mundo - para identificar potenciais candidatos a vagas no seu time de engenharia.
Anualmente, o Centro de Engenharia promove visitas às dez principais universidades com cursos de graduação e pós-graduação em engenharia da computação do País - UFMG, USP, USP-São Carlos, Unicamp, UFRJ, PUC-RJ, UFRS, UFPE, ITA e IME - para falar sobre o Google, e, mais uma vez, ficar de olho nos talentos.
Neste ano, o centro pretende iniciar um programa de estágio - o número de vagas e o modelo de seleção ainda não estão definidos, mas o processo deve ser iniciado até o meio do ano, segundo Ribeiro.
O caminho das pedras para quem quer se tornar um engenheiro do Google é, nas palavras do diretor: “caprichar na formação, falar línguas, não ser arrogante, saber trabalhar em comunidade e saber se concentrar no que realmente importa”.
segunda-feira, 16 de abril de 2007
"Estilo" do profissional deve combinar com o da empresa
Na era da qualidade de vida, o tradicional “bom emprego”, com salários, benefícios e perspectivas interessantes, nem sempre faz o profissional feliz. Excesso de amarras formais e falta de espaço para iniciativas pessoais, por exemplo, sufocam funcionários de espírito empreendedor, e companhias muito dinâmicas podem levar trabalhadores metódicos à loucura. É preciso corresponder ao perfil comportamental adequado à empresa ou à vaga ocupada, diz Hélio Terra, diretor-superintendente da Manager Consultoria.
“Por exemplo, o engenheiro de bancada é diferente do desenvolvedor de fornecedores. O primeiro quer ficar trabalhando focado num projeto. O outro usará outras habilidades, como o jeito para o improviso”, aponta Terra. A consultoria criou um teste rápido, disponível em seu site para avaliar os principais traços de personalidade do usuário e sua harmonização com a cultura da companhia. “Usamos os quatro perfis amplamente aceitos como os principais: empreendedor, integrador, produtor e administrador”, diz Terra. Em geral, explica, esses possuem traços de todos os estilos, com predominância de um ou dois tipos.
“É comum as pessoas se acomodaram em seus empregos em vez de buscarem realização
ampla de seus anseios”, acredita o consultor. Mas atributos que num lugar ficam sufocados podem ser diferenciais competitivos em outros. Ao tentar identificar o peso de cada estilo na personalidade do usuário, o questionário pretende ser uma provocação para que o profissional reflita e se lembre de que é preciso gerenciar a carreira o tempo todo. Além disso, avaliando as características da cultura da empresa na qual atua, se o profissional tenta checar seu grau de "conformidade".
Estágio: conheça as regras
Saiba quais são as obrigações e os direitos das empresas na hora do estágio
Considera-se estágio as atividades de aprendizagem social, profissional e cultural, proporcionadas ao estudante pela participação em situações reais de vida e trabalho de seu meio, sendo realizadas na comunidade em geral ou em empresas de direito público ou privado, sob responsabilidade e coordenação da instituição de ensino.
Quem é?
Estagiários são alunos regularmente matriculados que freqüentem, efetivamente, cursos vinculados à estrutura do ensino público e particular, de educação superior, de educação profissional, do ensino médio e de educação especial, aceitos por pessoas jurídicas de direito privado, órgãos da administração pública e instituições de ensino, para o desenvolvimento de atividades relacionadas a sua área de formação.
Necessidade:
O estágio, como parte integrante do processo formativo, contribui para a formação do futuro profissional porque permite ao estudante:
- a aplicação prática de seus conhecimentos teóricos, motivando seus estudos e possibilitando maior assimilação das matérias curriculares;
- amenizar o impacto da passagem da vida estudantil para o mundo do trabalho, proporcionando contato com o futuro meio profissional;
- adquirir uma atitude de trabalho sistematizado, desenvolvendo a consciência da produtividade, a observação e comunicação concisa de idéias e experiências adquiridas e incentivando e estimulando o senso crítico e a criatividade;
- definir-se em face de sua futura profissão, perceber eventuais deficiências e buscar seu aprimoramento ;
- conhecer a filosofia, diretrizes, organização e funcionamento de empresas e instituições em geral, além de propiciar melhor relacionamento humano.
Encargos e obrigações:
Estágio de estudantes não se confunde e não deve se confundir com emprego, quer de caráter temporário, quer de duração indeterminada. São figuras totalmente distintas. O estágio não é, portanto, emprego; logo, não cria vínculo empregatício entre as partes e é regulamentado por legislação específica.
Por não ser empregado, o estagiário não é cadastrado no PIS/PASEP, não faz jus ao aviso prévio em caso de rescisão contratual, não tem direito a férias, nem a 13.º salário. Ao estagiário também não se aplicam as obrigações relativas a contrato de experiência, contribuição sindical e verbas rescisórias. Sobre a bolsa-auxílio não incidem contribuições para o INSS, nem para o FGTS.
Duração permitida:
Pela legislação vigente, não há carga horária mínima ou máxima permitida para o estágio; a exigência é que o horário do estágio não conflite com o horário escolar.
No entanto, o Ciee recomenda que a jornada diária não ultrapasse o máximo de oito horas, para que seja admitida uma margem de tempo para locomoção e refeição, sem prejuízo dos compromissos escolares.
Benefícios:
O estagiário não tem direito aos benefícios assegurados aos demais empregados da empresa, como vale-alimentação, vale-transporte, assistência médica etc. No entanto, por liberalidade, a empresa pode conceder esses benefícios aos estagiários, contudo, é aconselhável que não sejam descontados da bolsa-auxílio do estudante.
Vínculo:
O Termo de Compromisso de Estágio, vinculado ao instrumento jurídico (Acordo de Cooperação), constitui um dos componentes exigíveis, pela autoridade competente, da inexistência de vínculo empregatício.
Além disso, deve a empresa concedente verificar a regularidade da situação escolar do estudante, pois a conclusão e o abandono do curso, ou trancamento de matrícula, são eventos que impedem a continuidade das atividades de estágio, porque descaracterizam a condição legal de estagiário, podendo gerar vínculo empregatício.
Carteira Profissional:
A Lei n.º 6494/77 e o Decreto n.º 87497/82 não tratam da anotação do estágio na respectiva Carteira de Trabalho e Previdência Social - CTPS. O Ministério do Trabalho, inclusive, já manifestou-se sobre o assunto, enfatizando que não é necessário a anotação do estágio na CTPS do estudante.
Caso a empresa decida registrar, nada deve ser anotado na folha referente a Contrato de Trabalho, podendo constar na parte de Anotações Gerais.
Ajuda:
Estágio não é emprego e, portanto, não se aplica ao estagiário o dispositivo da legislação trabalhista, no que se refere a horas extras e comissões. Despesas com eventuais viagens curtas ou trabalhos externos, que não prejudiquem o horário escolar poderão incluir reembolso das despesas extras.
Rescisão:
O contrato pode ser rescindido antes de seu término tanto pela empresa quanto pelo estagiário, segundo cláusula específica no próprio TCE e, eventualmente, por solicitação da instituição de ensino quando for identificada qualquer irregularidade nas condições preestabelecidas para o estágio.
Bolsa-Auxílio:
O pagamento da bolsa-auxílio não é obrigatório. No entanto, conforme previsto na própria legislação, o estagiário poderá receber uma bolsa, para cobertura parcial de seus gastos escolares e pessoais. O CIEE recomenda o pagamento de bolsa-auxílio mensal ao estagiário, uma vez que a grande maioria dos estudantes necessita de recursos financeiros para continuar seus estudos.
Quem paga:
A bolsa-auxílio mensal deve ser paga pela empresa concedente do estágio, diretamente ao estagiário.
Acidentes pessoais:
Pela legislação vigente, o seguro contra acidentes pessoais a favor do estagiário pode ser providenciado pela empresa concedente ou pela instituição de ensino, diretamente, ou através de um agente de integração.
A cobertura abrange acidentes pessoais ocorridos com o estudante, durante o período de vigência do estágio, 24 horas por dia, no território nacional, extrapolando, portanto, o local e horário do estágio; os capitais segurados cobrem morte ou invalidez permanente, provocadas pelo acidente, e eqüivalem, em média, a R$ 3 mil.
Efetivação:
Não há definição legal a respeito do tempo mínimo para efetivar o estagiário; entretanto, as instituições de ensino e o próprio CIEE recomendam que a efetivação ocorra após um período mínimo de 6 meses de estágio, para que a empresa tenha critérios suficientes para uma avaliação adequada do potencial do aluno.
Fiscalização:
A fiscalização do estágio nas empresas é de competência do Ministério do Trabalho, por meio dos agentes de fiscalização; a partir dos dispositivos da legislação vigente.
Os documentos exigidos são: Acordo de Cooperação entre a instituição de ensino e a empresa concedente; Termo de Compromisso de Estágio entre o estudante e a empresa, com assinatura da instituição de ensino; convênio entre a empresa concedente e o agente de integração, quando houver.
Participação da escola:
O estágio caracteriza-se como um componente do processo de formação do estudante, com objetivos educacionais-formativos e como fator de interesse curricular; portanto, como procedimento didático-pedagógico, é atividade de competência da instituição de ensino, que dispõe sobre as condições e requisitos para a realização do estágio de seus alunos, bem como pelos processos de acompanhamento, supervisão e avaliação.
Matéria originalmente publicada no Canal RH
sábado, 14 de abril de 2007
Estágio: lei pode mudar
Está em discussão no Senado uma proposta para aprofundar a atual Lei do Estágio
Estágio com carga horária limitada a seis horas diárias e férias anuais. Esses são dois pontos propostos pelo Senador Osmar Dias (PDT-PR) em seu projeto de alteração da Lei de Estágios. Em discussão no Senado, o projeto recebeu críticas e considerações de outros senadores e de profissionais de recursos humanos, mas um mérito ele já tem: traz a tona uma questão fundamental para a educação no país.
“A legislação em vigor é de 1977 e apresenta anacronismos. Estamos propondo uma nova regulamentação para que o estágio possa desenvolver-se sem desvirtuações”, explica Osmar Dias. Para combater os crescentes abusos por parte das empresas, entre outras alterações, o projeto determina que os estagiários não ultrapassem 20% do quadro de funcionários e limita em dois anos a duração do contrato.
Para Carlos Henrique Mencaci, presidente da Associação Brasileira de Estágios (Abres), a nova proposta cria restrições para as empresas – o que, a médio prazo, representaria um aumento no desemprego entre jovens. “Nós precisamos que a legislação amplie o estágio no país. A forma como o Senador Osmar Dias apresentou, na nossa opinião, reduz o estágio no Brasil de um milhão pra 200 mil”, disse. Para ele, a redução na carga horária representaria uma queda de salários, que impossibilitaria os jovens de continuarem estudando e trabalhando. “A Lei de estágio é muito boa da forma como está, em inserir o jovem no mercado de trabalho e também retendo ele na escola”, define.
Em audiência pública, a Abres apresentou uma contra-proposta ao projeto de Osmar Dias. “Existem coisas interessantes a adicionar na Lei como ela é hoje. Por exemplo, conceder férias de 20 dias úteis e definir um seguro do estágio maior para não haver abusos”, explicou Mencaci. As alterações propostas pela Abres, entretanto, não tocam em um dos pontos mais polêmicos em relação ao tema: a precarização do estágio.
Para Mencaci, o estagiário não é mão-de-obra barata – ele “tem sempre um treinamento, uma supervisão e um valor agregado”. O presidente da Abres diz que os abusos por parte das empresas existem, sim, mas não são regra. “A gente não pode sair mudando lei para tentar coibir alguns abusos. Onde houver abuso você faz uma fiscalização e resolve”.
O Senador Osmar Dias, por meio de sua assessoria jurídica, afirmou que o projeto de lei proposto por ele “não tem autorização constitucional para criar órgão de fiscalização”. A fiscalização ficaria por conta do Ministério do Trabalho, como é hoje.
Não há um prazo para a definição da nova Lei de Estágios. O relator do projeto, Senador Marco Maciel (PFL-PE), deve convocar uma nova audiência pública em breve para discutir entre o Senado e a sociedade civil os termos da legislação.
Acompanhe a tramitação do processo aqui.